Prospecção de mercado e de pesquisas para o desenvolvimento de produtos com escória granulada de alto-forno

Resumo: As principais alternativas para utilização da escória de alto-forno na construção civil são (i) a produção de cimentos com adição de escória de alto-forno; (ii) a produção cimentos de escória de alto-forno sem clínquer e (iii) constituinte ou adição mineral ao concreto.
Além destas aplicações, a escória de alto-forno também é comercializada como matéria-prima para produção de clínquer; como matéria-prima para produção de vidro e como corretivo de solo, mas não há grande potencial de consumo em nenhum destes mercados.
A forma mais destacada de emprego de escória e alto-forno ainda é a sua adição na fabricação de cimento Portland, muito embora a sua utilização como aglomerante hidráulico na produção de cimentos de escória tenha surgido cerca de 40 anos antes da adição da escória de alto-forno ao clínquer Portland.
A normalização brasileira de cimentos com adição de escória de alto-forno data de 1964, sendo, atualmente, produzidos os cimentos CP II E (cimento Portland composto com adição de até 34% de escória de alto-forno) e CP III (cimento Portland de alto-forno com adição de 35 a 70% de escória de alto-forno). Mesmo sendo possível a associação da tendência brasileira de utilização da escória de alto-forno ao modelo europeu, observa-se que na Europa estão normalizados cimentos com até 95% de escória de alto-forno (concreto não armado) e até 80% (concreto armado).
É facilmente observada, na Europa, uma tendência de aumento do teor de escória de alto-forno no cimento (ENV 1997-1/2000) e de especificação para o desempenho dos concretos (ACI, 1987; EN 206-1/2000), permitindo, em países como Japão, Inglaterra, África do Sul, Estados Unidos e Canadá, adição da escória de alto-forno diretamente no concreto (ACI, 1987; ACI 233R-03/2003). Na maioria desses casos, o teor de escória de alto-forno empregado foi de 25 a 70% do total de material cimentício (ACI 233R-03/2003).
No Brasil, a geração de escória alto-forno é superior a 6.000.000 (seis milhões) de toneladas ao ano, e esta oferta deverá praticamente dobrar até nos próximos anos, dado o cenário de aumento de capacidade instalada das plantas existentes e de projetos para instalação de novas siderúrgicas na região Sudeste.
É importante destacar que, atualmente, a indústria de cimento tem consumido menos da metade da escória granulada de alto-forno gerada no Brasil.
Na análise de mercado e no desenvolvimento de produtos, é importante considerar os custos de moagem da escória (estimados entre US$ 10 e15/tonelada, planta já instalada), bem como oportunidades e dificuldades logísticas.
Há dificuldades logísticas, concentração de cimenteiras e sobreposição de zonas de influência de cimenteiras e de siderúrgicas.
O valor de comercialização da escória de alto-forno depende de vários fatores, que devem ser considerados nas estratégias de desenvolvimento de produto e de mercado. Entre eles, pode-se citar (i) base de negociação do contrato; (ii) presença de moagem independente ou possibilidade de introdução; (iii) existência de mercado local de cimento, com suficiente tamanho, sem barreiras legais ou normativas; (iv) base normativa favorável ao uso de escória de alto-forno em cimento e em concretos, fundamentada em especificações por desempenho; (v) logística para exportar escória de alto-forno para outros mercados, se necessário; (vi) oferta/demanda por escória de alto-forno na área de influência; (vii) disponibilidade da própria siderúrgica em investir em granuladores e em moagens; (viii) proatividade da siderurgia, e (ix) proatividade e barreiras mercadológicas criadas pelas indústrias de cimento.
A maior valorização da escória de alto-forno dá-se quando ela é granulada, moída e comercializada diretamente pela siderúrgica.
É possível também identificar estratégias de médio e longo prazos no mercado mundial de escória de alto-forno, que precisam ser consideradas no desenvolvimento de produtos de mercado para a escória de alto-forno . A fundamentação de Stokes pode ser utilizada na construção de oportunidades, apostas e benefícios para o mercado de escória de alto-forno, que também precisam ser tratadas estratégica e taticamente. A logística e a unidade de moagem são fatores chave no processo de desenvolvimento de produto e de mercado para escória de alto-forno.
Outra análise a ser feita diz respeito ao mercado de CO2. Hoje, o valor econômico do CO2 no mercado de escória de alto-forno pode ser estimado em € 15/T de escória granulada de alto-forno (seca). É, portanto, importante aproveitar a oportunidade futura de aumento do valor do CO2 .
Os objetivos desta pesquisa são:
- Prospecção de mercado e de produtos com escória de alto-forno (cenário nacional e internacional), com base em roadmaps, relatórios setoriais, publicações técnicas, dentre outras fontes;
- Estimativa de valor máximo potencial a ser alcançado pela escória de alto-forno em cada uma das alternativas propostas;
Estimativa de consumo potencial de escória de alto-forno em cada uma das alternativas propostas;
- Identificação de condicionantes técnicos a serem observados, incluindo características da escória de alto-forno, etapas para processamento e beneficiamento, dentre outras;
- identificação de lacunas de pesquisa para orientar a proposição de projetos de P&D&I voltados à reciclagem de escórias de alto-forno, e
- Desenvolvimento de projetos de P&D&I voltados à reciclagem de escórias de alto-forno.

Data de início: 2019-01-02
Prazo (meses): 36

Participantes:

Papelordem decrescente Nome
Coordenador Maristela Gomes da Silva
Transparência Pública
Acesso à informação

© 2013 Universidade Federal do Espírito Santo. Todos os direitos reservados.
Av. Fernando Ferrari, 514 - Goiabeiras, Vitória - ES | CEP 29075-910